3 de setembro de 2017

Um coração

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       Nunca quis que todos me amassem, que todos fossem meus. Sempre quis que alguém, apenas uma pessoa, me amasse por inteira, do jeito que sou.
       Nunca diga que fui egoísta, falsa ou até mesmo interesseira. Você não tinha nada, como eu; não me importei em nenhum momento com todo o dinheiro e nem com todos os presentes que você poderia me oferecer. Tudo o que eu queria era o conforto de seus braços me envolvendo, era ver seu sorriso lindo toda manhã, era compartilhar contigo todos os momentos bons e ruins; foi uma pena que isso você não podia me dar isso. Como disse, você não tinha nada, assim como eu. Pior que isso, você sempre achou que tinha tudo, mas dinheiro, popularidade e beleza não é tudo. Faltava em você uma coisa em especial, faltava em você um coração.
       Sim, um coração. Você precisava de mais humildade, modéstia, humanidade; ah, e um pouco menos de amor ao ego e mais amor as pessoas, e mais amor a mim.
       Sinto muito por ter deixando-o sozinho, com seus monstros interiores, mas precisava conhecer o amor antes que fosse tarde demais, eu só havia dado amor, porém, não o recebia de volta; não, presentes caros de desculpas por não ter comparecido a um lugar importante para mim não é uma forma de amor, quando se ama de verdade, às vezes abrimos mão de algumas coisas para ver o outro feliz. Acho que esse é o ponto chave de um relacionamento, abrir mão de algumas coisas para ver o outo feliz, mas apenas um fazer isso não funciona, eu não conseguia mais ser a única a fazer sacrifícios.
       Quando soube que estava com câncer e morreria em pouco tempo, eu liguei para você. Mas, como sempre, estava ocupado demais para me ouvir, tinha problemas demais para ser capaz de escutar os meus problemas. Naquele dia, chorei sozinha. Chorei, não só por mim, mas por você. Quem te amaria? Não quero dizer morar junto, estar presente na hora do sexo ou acompanhá-lo em eventos importantes, para, no final, ganhar vários presentes caros, comer em restaurantes finos e ter popularidade; quero dizer, amar-te de verdade, amar-te como eu. Só eu sabia o quanto doía te amar.
       Eu te amo mais do que a mim mesma. Eu conseguia enxergar em você algo que não conseguia enxergar em mais ninguém. Mesmo assim, fui embora. Peguei uma bolsa, coloquei umas três mudas de roupa e sai, sem intenção nenhuma de voltar, com o coração sangrando, com um certo desespero no olhar.


Nathália Jorge.

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